sofrimentos de uma francesa durante a guerra do paraguai: o relato de dorothée duprat

Share

“Eu sou uma delas: vivo, escrevo, porem ainda não me cabe na mente como é que ainda posso falar das crueldades e sofrimentos de que fomos vítimas” – Dorothée Duprat de Lasserre, mulher de classe abastada que migrou para o Paraguai na década de 1850 e viveu sob o regime violento da Guerra. Continue Lendo →

A rapsódia andradiana do arlequim paulista: considerações acerca da primeira edição de Pauliceia Desvairada

Share

Dentre as muitas raridades disponíveis para consulta no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, destaca-se a primeira edição da icônica coleção de poemas de Mário de Andrade, Paulicéia Desvairada, escrita entre dezembro de 1920 e dezembro de 1921. O presente artigo tece uma relação entre o processo de escrita e da montagem das duas versões de capas das quais se tem notícia. A capa final não deixa muito para a figuração do leitor e concentra todos os elementos visuais na padronagem que remete à roupa do Arlequim — um detalhe que, de fato, resume e destaca o espírito lúdico, crítico e fragmentado da obra de Mário de Andrade. Essa escolha revela não apenas um cuidado estético, mas também uma intenção clara de comunicação com o conteúdo poético do livro. Para além disso, o primeiro exemplar da coleção possui manuscrito do inédito Cantiga Final, poema dedicado a Manuel Bandeira que remete a um ouroboros simbólico em consonância com o livro. Continue Lendo →

“Uma visita de Vida”* à Patrícia Galvão e Oswald de Andrade: o romance da época anarquista ou livro das horas de Pagu que são minhas.

Share

“Uma visita de Vida” à Patrícia Galvão e Oswald de Andrade: o romance da época anarquista ou livro das horas de Pagu que são minhas analisa o diário escrito a quatro mãos por Patrícia Rehder Galvão (Pagu) e Oswald de Andrade, produzido entre 1929 e 1931, período em que os autores mantinham um envolvimento romântico. O manuscrito percorre momentos íntimos e públicos do casal, desde os encontros na Villa Rafaella e a cerimônia de casamento, passando pelo aborto do primeiro filho, até o nascimento de Rudá de Andrade e o engajamento político de ambos.
O artigo focaliza a construção da autoria compartilhada, ressaltando a predominância da escrita de Pagu, marcada pelo experimentalismo, pela transgressão e por dimensões confessionais e corporais, em contraste com as entradas mais humoradas e complementares de Oswald. Além disso, examina os aspectos materiais do manuscrito e as trocas textuais entre os dois, que transformam o diário em um espaço de inovação literária, diálogo criativo e intensa expressão emocional. Continue Lendo →

A língua nheengatu enquanto instrumento em prol da civilização em “O selvagem”

Share

“O Selvagem”, de Couto de Magalhães, é um projeto civilizatório e de amansamento das populações originárias do norte brasileiro através de políticas linguísticas com o nheengatu. Continue Lendo →

O Brasil em francês: catálogos de traduções publicados por Estela dos Santos Abreu

Share

A pesquisa para a produção dos seis números de edições revistas e ampliadas do catálogo O Brasil em francês durou cerca de vinte anos e contou com a ajuda de Hervé Renard, responsável pelo Observatório do Livro do Ministério da Cultura Francês. O trabalho traz informações relevantes sobre o histórico da relação literária e, sobretudo, editorial entre o Brasil e a França e concedeu a Estela dos Santos Abreu o Prêmio Biblioteca Nacional no ano de 1994 e a medalha Machado de Assis da ABL em 2008. Dos seis volumes publicados por Estela dos Santos Abreu, quatro estão disponíveis para consulta no acervo da BBM. Continue Lendo →

El Paulista de la Calle Florida: Mário de Andrade comenta a literatura argentina

Share

O livro El Paulista de la Calle Florida reúne uma coletânea de escritos de Mário de Andrade publicados no Brasil entre as décadas de 1920 e 1940. Uma importante demonstração do trabalho de Mário como crítico literário, os textos dialogam com importantes nomes da intelectualidade argentina da época, tais como Jorge Luis Borges, Oliverio Girondo e Ricardo Guiraldes. A organização da coletânea ficou a cargo de Raúl Antelo, um importante propulsor da crítica literária latino-americana no Brasil, que também prefaciou e traduziu a obra. Continue Lendo →

Iraçéma: o primeiro romance brasileiro traduzido para o inglês

Share

O romance de José de Alencar, Iracema: lenda do Ceará, de 1865, foi a primeira obra ficcional brasileira traduzida para a língua inglesa, recebendo o título Iraçéma, the Honey-Lips: a legend of Brazil. Essa edição, lançada em 1886 com esforços do casal Isabel e Richard Burton, é peça fundamental da história da Literatura Brasileira. Continue Lendo →

Dom Quixote – Cervantes, Portinari e Drummond: Um diálogo entre as artes

Share

Em 1973, foram publicados pela primeira vez um conjunto de 21 desenhos de Candido Portinari e de 21 poemas de Carlos Drummond de Andrade inspirados em Dom Quixote, o grande romance da literatura espanhola, escrito por Miguel de Cervantes no século XVII. Em 1985, as releituras visual e poética do pintor e do poeta brasileiros foram lançadas no México. Continue Lendo →

Navio negreiro: tragédia no mar: cenários que compõem a edição de 1979

Share

Uma edição especial do célebre poema de Castro Alves, “Navio negreiro: tragédia no mar”, foi publicada pela Universidade Federal da Bahia em 1979. Essa edição, em que o artista plástico Hansen Bahia aparece como segundo autor, é atravessada por algumas particularidades editoriais e até mesmo históricas, incluindo uma carta de Fernando Rocha Peres a Guita e José Mindlin. Continue Lendo →

Los Sertones: a obra de Euclides da Cunha pelo tradutor argentino Benjamín de Garay

Share

Os sertões, de Euclides da Cunha, é a obra que aparece com mais frequência no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin quando o assunto é literatura brasileira traduzida ao espanhol. São cinco livros catalogados, sendo três publicações de Buenos Aires, uma de Caracas e outra de Madri. O marco temporal vai de 1938 a 1981, considerando que as mais recentes, respectivamente de 1980 e 1981, são justamente aquelas publicadas fora da cidade portenha. Continue Lendo →