200 livros: Malandro é Malandro

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O malandro é uma figura fundamental da sociedade e cultura brasileira. Malandro não é um sujeito comum; normalidade não é um adjetivo que pode ser usado para descrever sua figura. Opostamente, ambiguidade é um bom termo para definir o malandro, que oscila entre características positivas e negativas. De um lado, o malandro é uma pessoa carismática, sedutora, capaz de levar no papo até os mais tenazes desconfiados. Por outro lado, esse aspecto envolvente do malandro muitas vezes mira objetivos questionáveis: seu poder de sedução pode aliar-se à sua habitual astúcia para trapacear, enganar e obter ganhos fáceis às custas de ingênuos manés e ao arrepio das normas sociais estabelecidas. 

Nas manifestações culturais brasileiras, a figura do malandro está frequentemente presente. O samba é talvez sua morada principal, a tal ponto que estabeleceu seu estereótipo:


Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio (…)

(Lenço no pescoço, Wilson Batista)


Embora não seja o único tipo de malandro brasileiro, podemos, inclusive, observar essa figura em todas as esferas da cultura tradicional brasileira, esse personagem característico dos morros cariocas ao longo do século XX permite avançar um pouco em sua dimensão ambígua. Suas artimanhas em busca de ganhos supostamente fáceis podem ser vistas como um meio de driblar as dificuldades estruturais de uma existência privada de recursos básicos de educação, trabalho, saúde, segurança, etc. Para vencer as dificuldades de uma sociedade desigual, excludente, racista e violenta, o malandro se vale de sua inteligência e sedução para desafiar as normas de uma sociedade injusta. A ambiguidade, contudo, permanece, já que nem sempre é possível determinar até onde é possível contestar as regras de um jogo injusto para alcançar objetivos justos. O risco de praticar grandes injustiças ao tentar escapar de outras está sempre posto para o malandro. Talvez o maior problema seja quando a malandragem como meio de contestação de injustiças se torna parte da estrutura, como cantou Chico Buarque:


Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal

(Homenagem ao malandro, Chico Buarque)


A literatura brasileira está povoada de personagens que de alguma maneira se relacionam com a malandragem. Nos tempos coloniais, o poeta baiano Gregório de Matos pode ser associado à malandragem tanto porque muitos de seus poemas contestavam as normas sociais de seu tempo quanto porque denunciou a malandragem oficial dos donos do poder político e religioso. No século XIX, surgiu aquele que muitos consideram o primeiro malandro da prosa de ficção brasileira: Leonardo, o protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, desde criança se mete em mil e uma confusões que o colocam constantemente em atrito com as autoridades. Em Macunaíma, o herói sem caráter que dá título ao livro é um trapaceiro de marca maior: irmãos, mãe, companheiras, um grande capitalista; ninguém escapa de suas tramoias. Se Macunaíma é um malandro cômico, os malandros Malagueta, Perus e Bacanaço, protagonistas do conto com o mesmo título têm uma nota mais dramática: nas mesas de sinuca dos bares paulistanos, as artimanhas dos três malandros são o que pode salvá-los da miséria que sempre os assombra. O humor volta a aparecer nas páginas de Pornopopeia na figura pornográfica de Zeca, que nunca desperdiça uma oportunidade de viver a vida da melhor maneira possível.

Vemos como o malandro, esse anti-herói ambíguo, está presente no imaginário brasileiro e em suas representações. Afinal, basta observar expressões comuns do nosso dia-a-dia, como o nosso “Jeitinho brasileiro” ou na expressão, quase por definição malandra, “Com quem você pensa que está falando?”, estudada por Roberto DaMatta no ensaio interpretativo “Carnavais, malandros e heróis”. Esta figura, para bem ou para mal, esconde a realidade brasileira: se de um lado, o malandro é um sujeito carismático, que busca o melhor para sua vida, sempre passando a perna, por exemplo, em figuras como o “otário”; do outro lado, é possível ver a figura da malandragem de maneira negativa, como resultado de um processo sócio-histórico de desigualdade social, que por conta desse sistema precário os leva a enganar outras pessoas a fim de sobreviver. 

De qualquer forma, se o malandro é malandro e o mané é mané, entender essa figura brasileira muito diferente de arquétipos estrangeiros é entender o próprio Brasil no jeitinho brasileiro de ser, de enganar ou ser enganado, de procurar numa realidade muitas vezes ingrata uma maneira de sobreviver. 


Carnavais, malandros e heróis (1979)

De Roberto DaMatta



DaMatta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. São Paulo: Zahar, 1979.


Roberto DaMatta (1936 – ) é um antropólogo carioca. Professor titular de antropologia social da PUC-RJ e professor emérito da Universidade de Notre Dame, realizou pesquisas etnológicas entre os grupos Gaviões e Apinayé. Considerado um sucessor nos ensaios de interpretação brasileiros, ainda foi pioneiro nos estudos de rituais e festivais em sociedades industriais, tendo investigado o Brasil como sociedade e sistema cultural por meio do carnaval, do futebol, da música, da comida, da cidade, enfim, de categorias populares. 

Carnavais, malandros e heróis é um livro de antropologia brasileira publicado pela editora Zahar no ano de 1979. Este livro está na lista porque é pioneiro na investigação do Brasil a partir de nossa cultura popular. Considerado um ensaio de interpretação nacional na chave cultural, o livro de DaMatta pretende responder o que torna a sociedade brasileira diferente e única. Em uma investigação que procura entender as grandes desigualdades brasileiras, os ensaios de Carnavais pela primeira vez consideraram a sociedade brasileira através de suas festividades, como o Carnaval, e transformou esses ritos e mitos nacionais em pautas de investigação para a interpretação do Brasil. Para o autor, tanto as suas festividades quanto nossos malandros e heróis são criações sociais que refletem os problemas e dilemas básicos da sociedade que os criou. Os mitos e ritos, utilizados do arcabouço teórico do antropólogo francês Lévi-Strauss, para DaMatta, são dramatizações ou maneiras de chamar a atenção para certos aspectos de nossa realidade social cotidiana. 


Poemas

De Gregório de Matos



Matos, Gregório de. (1636-1696). Poemas de Gregório de Matos


Descendente de uma família fidalga portuguesa, Gregório de Matos nasceu em Salvador em 1636. Fez seus primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas da Bahia e os completou em Portugal. A partir dos anos 1660, ocupou na metrópole os cargos de juiz e procurador. Retornou à sua terra natal em 1679, onde assumiu os cargos de vigário-geral e de tesoureiro-mor. Foi, contudo, destituído de suas funções por ter-se recusado a completar sua ordenação eclesiástica. Desgostoso, passou a levar uma vida boêmia e escrever versos que satirizavam os costumes das diversas camadas da sociedade baiana: o povo, a aristocracia local e o clero. Embora protegido pelo governador-geral D. João de Lencastre, seus poemas lhe granjearam muitos inimigos, que forçaram seu degredo para Angola em 1694. O Boca do Inferno (como ficou conhecido em razão de sua verve satírica) obteve, entretanto, autorização para retornar ao Brasil, mas não à Bahia. Instalou-se então em Recife, onde faleceu em 1696.

Os poemas Gregório de Matos circularam, enquanto viveu e muito depois de sua morte, apenas na forma manuscrita: copiados e recopiados, passavam de mão em mão entre um público curioso por ler os versos mordazes de sua poesia satírica e as rimas picantes de sua poesia erótica. Embora sua obra contenha ainda poesia lírica, sacra e encomiástica (de elogio a algo ou alguém), foi sua veia satírica que o colocou entre os maiores poetas da literatura brasileira. A complexidade da obra de Gregório gerou e tem gerado calorosos debates: uns o tomaram como figura central da literatura brasileira, outros, como autor que não contribuiu para sua formação; uns o tomaram por poeta convencional, outros por um dos mais inovadores da nossa tradição literária. Seja como for, é típico das grandes obras não se deixarem definir facilmente. A um tempo malandro e reacionário, crítico arguto da sociedade em que viveu e exemplo de muitos de seus traços mais marcantes (racismo e misoginia, por exemplo), a obra desse grande poeta barroco permanece, como todo clássico, à espera de outros tantos olhares e leituras. 


Memórias de um Sargento de Milícias

De Manuel Antônio de Almeida



Almeida, Manuel Antonio de. Memórias de um Sargento de Milícias. Rio de Janeiro: Oficcinas da Livraria Moderna Domingos de Magalhães, [s.d].


Manuel Antônio de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em novembro de 1831, e faleceu cedo, com apenas 30 anos, em novembro de 1861, em um naufrágio na cidade de Macaé. Manuel enfrentou, desde muito cedo, inúmeras dificuldades financeiras, ficou órfão de pai com apenas 10 anos de idade, e sua mãe faleceu 10 anos depois. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Corte em 1855, mas não chegou a exercer a profissão, e com o objetivo de resolver adversidades financeiras passou a dedicar-se ao jornalismo. Como redator do jornal Correio Mercantil entre 1852 e 1853 publicou em folhetins Memórias de um Sargento de Milícias, sob o pseudônimo “Um brasileiro”. Manuel foi professor do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, em 1858 foi nomeado administrador da Tipografia Nacional, e foi o patrono da 28ª cadeira da Academia Brasileira de Letras.

Memórias de um Sargento de Milícias é o único romance escrito por Manuel Antônio, e se tornou um grande sucesso da literatura brasileira, sobretudo décadas após sua publicação. Considerado o primeiro romance urbano brasileiro, Memórias de um Sargento retrata o cotidiano das camadas mais pobres da sociedade carioca no século XIX, servindo-se da sátira e de elementos temáticos o autor narra, utilizando uma linguagem coloquial, as infelizes histórias de Leonardo, um garoto abandonado pelos pais que tenta sobretudo sobreviver às condições que lhe foram impostas. É notável que o romance de Manuel foge dos padrões românticos de sua época, tido como um registro social do séc. XIX, a criação do anti-herói e protagonista Leonardo rompe com a tradição do herói romântico e apresenta uma nova formação de personagens, com características e personalidades mais próximas da realidade. 


Macunaíma (1928)

De Mário de Andrade



ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. 1. ed. São Paulo, 1928.


Mário de Andrade nasceu em São Paulo, em 1893. Em 1917 publicou o seu primeiro livro, Uma gota de sangue em cada poema, ao mesmo tempo em que se formava no curso de piano do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Intenso estudioso da cultura e da música popular, Mário foi figura central no movimento de vanguarda de São Paulo e um dos responsáveis pela Semana de Arte Moderna, em 1922. Ano esse em que também lançou seu primeiro livro modernista, Paulicéia Desvairada, cujo Prefácio Interessantíssimo descreve o seu complexo trabalho de articular a estética moderna, influenciada pelas vanguardas européias, e a realidade brasileira. Aprofundando essas ideias, mais tarde Mário viria a propor a poética nativista, de ordem expressiva, espontânea, crítica e nacional, mas, segundo ele, sem cair no regionalismo. O ápice desse seu projeto poético foi em 1928 com a publicação de Macunaíma.

A rapsódia Macunaíma: o herói sem nenhum caráter (1928) é uma montagem resultante da extensa pesquisa de Mário sobre a cultura, a música e o folclore brasileiro. Na história, Macunaíma vai da Amazônia à São Paulo em busca do talismã, o muiraquitã, que recebeu de Ci-Mãe do Mato, e que foi furtado pelo gigante Venceslau Pietro Pietra. Durante a jornada do “herói de nossa gente”, Mário de Andrade compõe um universo-mosaico a partir de uma larga diversidade de canções, folclores, costumes, crenças e falares. A própria narrativa varia de forma, tal qual o protagonista que se metamorfoseia o tempo inteiro, assumindo ora o tom de épico-primitivo, ora de crônica jocosa, e ora de paródia. Desse modo, Macunaíma é o encontro de dois projetos: um estético, do nativismo onírico, e o outro ideológico, de interpretação histórica. Macunaíma não é, no entanto, uma conclusão de Mário de Andrade sobre quem é o brasileiro: antes disso, é a busca por essa resposta. 


Malagueta, Perus e Bacanaço (1963)

De João Antônio



Antônio, João. Malagueta, Perus e Bacanaço. São Paulo: Civilização Brasileira, 1963


João Antônio (1937-1996) nasceu no subúrbio de São Paulo numa família de classe média baixa. Seu interesse pela literatura surgiu quando ainda era criança, aos 11 anos. Em 1960, seu primeiro livro estava pronto, mas um incêndio em sua casa destruiu o manuscrito e muito mais: “Fiquei sem roupas, sem casa, sem livro”. Ele pôs-se a reescrever a obra, que foi publicada em 1963. Malagueta, Perus e Bacanaço recebeu interesse imediato de público e crítica. Sua estreia como escritor o levou ao jornalismo. Trabalhou para o Jornal do Brasil, para as revistas Realidade e Manchete, para o Pasquim. Na literatura, dedicou-se ao conto e ao conto-reportagem, este último introduzido por ele no Brasil. Seu interesse central são os personagens marginalizados das grandes cidades: malandros, proletários, prostitutas, zé-ninguéns e pobres-diabos que vivem o “miserê” de cidades como Rio e São Paulo. Além de seu livro de estreia, se destacam as coletâneas de contos Leão-de-chácara (1975), Dedo-duro (1982) e Abraçado ao meu rancor (1986), além das reportagens de Malhação do Judas Carioca (1975).

Os contos de Malagueta, Perus e Bacanaço causaram sensação no meio literário brasileiro dos anos 1960. Via-se ali algo diferente surgir: a linguagem áspera das periferias e bocas de lixo paulistanas é partilhada por personagens e narrador. Uma notável intimidade os mantém sempre ligados. O estilo coloquial, conciso e às vezes bruto da escrita de João Antônio evita sentimentalismos, mas transmite o lirismo difícil arrancado daqueles que enfrentam as durezas da vida. O último e mais longo conto do livro é o que dá título ao livro. Malagueta, Perus e Bacanaço são três malandros, vagabundos, viradores que atravessam uma noite paulistana em busca da sorte em um jogo de bilhar, que poderá tirá-los da sinuca de bico que são suas vidas. Zanzando pela Lapa, Água Branca, Barra Funda, Centro e Pinheiros, os três companheiros testam as sortes e azares do “jogo triste da vida”. 


Auto da Compadecida (1955)

De Ariano Suassuna



SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 1ª Ed. Recife: Agir, 1955.


Ariano Suassuna (Paraíba, 1927) foi um dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, professor e advogado brasileiro. Nascido filho do então presidente do estado da Paraíba, João Suassuna, que foi assassinado no Rio de Janeiro por motivos políticos em decorrência do Golpe de 1930, Ariano declarou na sua posse na Academia Brasileira de Letras, em 1990, que passou a vida tentando protestar contra a morte do pai através do que fazia e escrevia. Foi idealizador do Movimento Armonial, iniciativa artística que pretendia criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste brasileiro, sendo um contundente defensor da cultura da sua região. É autor de vasta obra, em que se destacam o Auto da Compadecida (1955) e O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971).

Auto da Compadecida (1955) é uma peça teatral em forma de auto, em três atos, do gênero comédia dramática. O drama acontece na região do Nordeste, com elementos da tradição da literatura de cordel, da qual Suassuna pegou emprestado João Grilo, personagem folclórico tanto no Brasil quanto em Portugal, que é um pobre aproveitador que vive causando confusões. A peça tem ainda traços do barroco católico brasileiro e marcas orais na sua composição. Além disso, é apresentada pel’O Palhaço e é escrita em estilo pantomímico, o que ressalta o corpo e o gestual dos atores nas suas representações e criações de sentido, sendo dessa forma de fácil assimilação para o público. No enredo, João Grilo e seu amigo Chicó sobrevivem dando golpes em moradores do seu vilarejo, nas entidades religiosas e mesmo no temido cangaceiro Severino. No fim, todos eles prestam contas diante de Jesus, do Diabo e da Nossa Senhora. A primeira representação da peça aconteceu em 1956, em Recife, com direção de Clênio Wanderley. Sua versão mais popular é a adaptação televisiva de 1999, dirigida por Guel Arraes.


Pornopopeia (2009)

De Reinaldo Moraes



Moraes, Reinaldo. Pornopopeia. São Paulo: Alfaguara, 2009.


Reinaldo Moraes (1950-) nasceu em São Paulo e formou-se em economia e administração pela Fundação Getúlio Vargas. Na década de 1980, publicou dois romances: Tanto faz (1981) e Abacaxi (1985). Influenciados pela literatura beatnik dos anos 1950, seus protagonistas são sujeitos desregrados que vivem a vida intensamente, à base de sexo, álcool e drogas. Atuou também como roteirista, tradutor e jornalista. Só retomou a produção literária nos anos 2000, com o livro infanto-juvenil A órbita dos caracóis (2003). Em 2009, publicou o romance Pornopopeia, considerada sua obra mais importante. Seu último romance publicado é Maior que o mundo, de 2018. 

Zeca, o protagonista de Pornopopeia, é um cineasta fracassado e falido incumbido de fazer um vídeo institucional. Esse é o ponto de partida para as peripécias desse paulistano de meia idade que só se orienta pelo desejo voraz por sexo e drogas. Individualista ao extremo, Zeca não mede esforços para conseguir o que quer, o que frequentemente o coloca em situações delicadas (e hilárias) com desconhecidos, familiares e, inevitavelmente, com as autoridades policiais. Narrada em ritmo acelerado e recorrendo a cenas de humor irresistível (ao mesmo tempo chulas e eruditas), Pornopopeia narra as aventuras de uma espécie de malandro do século XXI, que desafia as normas sociais para satisfazer seu desejo por sexo e drogas. 

Curadoria

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